segunda-feira, 18 de junho de 2018

O Fundo do Poço - Décio Bazin

O Fundo do Poço 

Não me lembro de tudo, "sêo" Delegado. Mas parece que o caso foi mais ou menos assim:
Há meses que todo mundo só falava em Bolsa de Valores, cotações, riquezas, bancários que tinham investido o 13° salário em ações e agora eram banqueiros. Eu fui dos últimos a entrar: queria antes ter a certeza de que a coisa funcionava. Minha mulher era dona de umas economias em letras de câmbio, eu sempre gostei de economizar; e, além disso, o meu fusca já estava pago.

Um colega apresentou-me ao corretor. Bons tempos. Belgo Mineira de 14 caiu para 12, por causa de umas ações falsas que surgiram no mercado. 

- Belgo a 12 é o fundo do poço -, segredou-me o corretor. - Vai fácil para 28 em menos de três meses.

Empreguei primeiros as minhas economias. Três dias e Belgo disparou para 18. Arrependi-me de não ter resgatado as letras de câmbio da minha mulher e enterrado tudo em Belgo. Mas ainda tinha o fusca, que vendi por dez "milhas" à vista. Então, houve um recuo de Belgo para 15. 

- É uma queda técnica -, inventou o corretor. - Belgo a 15 é moleza, é até covardia.
Assim, eu enfiei o dinheiro do fusca na Belgo para aproveitar a "queda técnica" a 15. Belgo depois caiu para 13, 12, 11...

- Belgo a 11 é o piso -, explicou o corretor, com toda a sua sabedoria técnica. - Não pode cair mais. Nossos analistas fizeram um estudo e chegaram à conclusão de que esse papel está...
- ...no fundo do poço -, completei.

Parecia que estava mesmo. O papel batia em 11, depois subia para 13. Resgatei as letras de câmbio da minha mulher e entrei em Belgo a 10 numa repentina "queda técnica". Eu pensei que estava começando a entender o jogo. Só que logo as coisas começaram a ficar meio esquisitas. Belgo caiu para 8, depois subiu para 10. Quando caiu para 7, o corretor telefonou-me excitado:

- Belgo a 7 é inacreditável. Quer entrar numa tacada grande, mas grande pra valer? Você faz uma operação a termo, nós entramos com a garantia. Esse papel vale no mínimo 15. Na próxima virada do Mercado você faz um faturamento alto. E a alta está iminente.

E eu entrei no mercado a termo, cheio de esperanças. Só que um mês depois fui chamado para liquidar o termo. Belgo estava a 4. Fui ao escritório do corretor, para fazermos o acerto de contas final.

- É, infelizmente não deu certo -, falou ele, com toda a segurança dos profissionais consumados. - São coisas do Mercado. Mas na Bolsa a gente se refaz depressa. É hora de comprar ma-ci-ça-men-te. Neste momento, nós já estamos abaixo do fundo do poço.

O acerto final foi assim: fiquei a zero, sem nada. Minhas economias, o fusca, as letras de câmbio da minha mulher...Tudo perdido...Fui saindo, meio zonzo.

O corretor fez questão de acompanhar-me até o elevador. Chegamos. Devido a algum defeito, a porta estava escancarada para o vazio, para as dez andares do poço de elevador. E o corretor falando, falando...Tive uma privação de sentidos, ou coisa semelhante.

Dizem, "sêo" Delegado, que empurrei o homem. Não sei. Não me lembro. A única coisa que tenho certeza é que, afinal, o corretor conseguiu achar o fundo do poço.

Bazin, Décio - Faça Fortuna com Ações Antes que seja tarde.

sexta-feira, 15 de junho de 2018

ESPECIAL - Warren Buffett e a análise de BALANÇOS - Capítulo 6

CAPÍTULO 6
Por onde Buffett começa:
a demonstração do resultado do exercício






Buffett sempre começa pela demonstração do resultado do exercício. Ela revela ao investidor os resultados das operações da empresa em determinado período. Tradicionalmente, é apresentada a cada trimestre e ao fim do ano e fica claro o período a que se refere - por exemplo, de 1° de janeiro de 2007 a 31 de dezembro de 2007.

A demonstração do resultado do exercício tem três componentes básicos: a receita, as despesas, que são subtraídas da receita, o que nos informa se a empresa teve lucro ou prejuízo.

Nos primórdios da análise de ações, os principais analistas, como Benjamin Graham, o mentor de Buffett, se concentravam simplesmente no fato de a companhia gerar ou não lucro e davam pouca ou nenhuma atenção à viabilidade de longo prazo de sua fonte de receita. Graham não se importava se a companhia era um empreendimento excepcional com condições econômicas a seu favor ou se era um dos milhares de negócios medíocres que lutavam para sobreviver. Ele compraria uma participação em uma empresa ruim num piscar de olhos se achasse que poderia obter um preço suficientemente baixo.


A sacada de Buffett foi, em parte, dividir o mundo corporativo em dois grupos diferentes: empresas excelentes que tinham uma vantagem competitiva durável em relação às suas concorrentes – essas organizações o tornariam rico se ele conseguisse comprar suas ações a uma cotação justa e mantê-Ias por tempo suficiente - e empresas medíocres que se esforçavam para sobreviver, ano após ano, em um mercado competitivo, o que as tornava investimentos ruins a longo prazo.


Em sua busca por uma dessas companhias incríveis, Buffett percebeu que os componentes individuais da demonstração do resultado do exercício podiam revelar se a empresa possuía a vantagem competitiva durável de longo prazo geradora da riqueza extraordinária que ele tanto cobiçava. Não apenas se ela ganhara dinheiro, mas que tipo de margens tinha, se precisava gastar muito com pesquisa e desenvolvimento para manter sua vantagem competitiva e se era necessário usar muita alavancagem para ganhar dinheiro. Esses fatores englobam o tipo de informação que Buffett garimpa nas demonstrações de resultado a fim de conhecer a natureza do motor econômico de uma empresa. Para ele, a fonte do lucro é sempre mais importante do que o próprio lucro.

sexta-feira, 1 de junho de 2018

Fechamento de Mês - Mai/2018 - R$ 41.281,41 (- R$ 3.561,14)

Olá Guerreiros,

Post rápido com o fechamento do mês de Mai/18, que teve como destaques:

- aporte abaixo do projetado (realizado: R$ 0,00 | Projetado: R$ 2.000,00),
- rentabilidade do mês: - 7,94%
- renda passiva em Mai/18: R$ 139,99
- renda passiva em 2018: R$ 946,72


Vamos aos números:

Rentabilidade:

A rentabilidade real da CIV(CARTEIRA INVESTIDOR VIKING) foi a seguinte:     
A - CIV início do mês:  R$ 44.842,55 
B - CIV fim do mês:     R$ 41.281,41 
C- Total de cotas inicial   419.842  (de 100,00 cada).
D- Aporte de dinheiro novo   R$ 0,00 
E- Novo total de cotas   419.842
F- Valor da cota inicial   R$ 106,81 
G- Valor da nova cota (B/E)  R$ 98,33 

H- Rentabilidade Mensal (G/F) - 1 = - 7,94 % 

Portfólio:

Operações no mês:
0














Proventos:







Meta de Patrimônio (Investimentos): R$ 1.000.000,00
Patrimônio no final de Mai/18: R$ 41.281,
% da Meta Atingida: 4,12

Abraços,

segunda-feira, 28 de maio de 2018

ESPECIAL - Warren Buffett e a análise de BALANÇOS - Capítulo 5

CAPÍTULO 5
Onde Buffett vai buscar informações financeiras



Na moderna era da internet, há dezenas de fontes nas quais podemos facilmente encontrar as demonstrações financeiras de uma empresa. O acesso mais fácil é por meio do MSN.com Chttp://moneycentral.msn.com/investorlhome.asp) ou da página de finanças do Yahoo! (www.finance.yahoo.corn).


Nós consultamos os dois sites, mas o MSN.com, da Microsoft Network, oferece demonstrações financeiras mais detalhadas. Para começar, encontre o campo no qual deve digitar o símbolo das cotações das ações em ambos os sites e depois digite o nome da empresa. Clique nele quando aparecer, e tanto o MSN.com quanto o Yahoo! irão direcioná-lo para a página contendo a cotação das ações da companhia em questão. À esquerda, você verá o cabeçalho "Finance", sob o qual estão três hiperlinks que o levarão ao balanço patrimonial, à demonstração do resultado do exercício e à demonstração de fluxo de caixa. Em cima disso, sob o cabeçalho "SEC", há um hiperlink para documentos apresentados à U.S. Securities and Exchange Commission CSEC), equivalente à Comissão de Valores Mobiliários brasileira. A cada trimestre, todas as empresas de capital aberto devem apresentar demonstrações financeiras à SEC; esses documentos são conhecidos como lOQs.* 


Também é apresentado à SEC um documento chamado 10K, que é o relatório anual da empresa. Nele estão contidas as demonstrações financeiras da companhia para aquele ano contábil ou fiscal. Buffett leu milhares de 10Ks ao longo dos anos, pois esses documentos representam os melhores relatórios dos números de uma empresa, sem todas as firulas que podem ser colocadas no relatório anual apresentado aos acionistas.


No Brasil, a melhor fonte de consulta disponível é o site www.bmfbovespa.com.br. da BM&F Bovespa, que foi criada em 2008 com a integração entre a Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F) e a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa). Ao entrar nele, você deve clicar em ações e, em seguida, pesquisar a empresa na qual está interessado.


É possível acessar dados da companhia e de seus principais acionistas, relatórios financeiros, informações relevantes e o histórico de cotações das ações.


Existem outras fontes de consulta importantes, como a Comissão de Valores Mobiliários (www.cvm.org.br), a Bloomberg e portais como Terra e UOl, mas o melhor lugar para encontrar todos os dados é a BMF& Bovespa.


* Relatório apresentado à SEC a cada trimestre pela maior parte das empresas de capital aberto. Inclui as demonstrações financeiras e fornece um panorama contínuo da condição financeira da empresa ao longo do ano. O relatório deve ser feito após cada um dos três primeiros trimestres do ano fiscal da empresa e ser apresentado à SEC em até 45 dias após o fim de cada trimestre. (N. do E.)

quarta-feira, 23 de maio de 2018

ESPECIAL - Warren Buffett e a análise de BALANÇOS - Capítulo 4

CAPÍTULO 4
Visão geral das demonstrações financeiras: onde o ouro está escondido

É por meio da análise das demonstrações financeiras que Buffett garimpa empresas com uma vantagem competitiva durável. São elas que lhe informam se ele está analisando uma companhia medíocre, sempre atolada em resultados ruins, ou uma organização que tem uma vantagem competitiva durável e que vai torná-lo riquíssimo.


As demonstrações financeiras podem ser de três tipos: a demonstração do resultado do exercício, o balanço patrimonial e a demonstração de fluxo de caixa.


A demonstração do resultado do exercício nos informa quanto dinheiro a empresa lucrou durante determinado período. Os contadores das empresas tradicionalmente geram declarações de resultado para os acionistas a cada trimestre e ao fim do ano fiscal. Com a análise da demonstração do resultado do exercício de uma empresa, Buffett pode determinar parâmetros tais como as margens das vendas, o seu retorno sobre o patrimônio e, sobretudo, a constância e a direção dos seus lucros. Todos esses fatores são necessários para determinar se a companhia está ou não se beneficiando de uma vantagem competitiva durável.


O balanço patrimonial nos informa quanto dinheiro a empresa tem no banco, suas contas a receber, seus estoques, suas propriedades, o que chamamos de seu ativo; e quanto ela deve, o que conhecemos como passivo. Ao subtrair o passivo do ativo obtemos o patrimônio líquido da companhia, ou seja, o valor que seus sócios possuem investido nela.


Tradicionalmente, as empresas geram um balanço patrimonial para os acionistas ao fim de cada trimestre e ao fim do ano contábil ou fiscal. Buffett aprendeu a usar alguns dos itens do balanço patrimonial - como a quantidade de ativo disponível da empresa ou o seu endividamento de longo prazo - como indicadores da existência de uma vantagem competitiva durável.


A demonstração de fluxo de caixa, por sua vez, acompanha o dinheiro que entra e sai da empresa. Essa demonstração serve para monitorar quanto dinheiro a companhia está gastando em melhorias dos ativos fixos. Também monitora as vendas e as recompras de títulos e ações. Uma empresa geralmente emite uma demonstração de fluxo de caixa junto de suas outras demonstrações financeiras.


Nos capítulos a seguir, iremos explorar detalhadamente os itens e os indicadores da demonstração do resultado do exercício, do balanço patrimonial e da demonstração de fluxo de caixa que Buffett usa para descobrir se a empresa em questão tem ou não uma vantagem competitiva durável que o tornará rico no longo prazo.

terça-feira, 22 de maio de 2018

ESPECIAL - Warren Buffett e a análise de BALANÇOS - Capítulo 3


CAPÍTULO 3
Consistência é o caminho de Buffett para a riqueza

A segunda grande revelação de Buffett é que a "consistência" da vantagem competitiva gera toda a riqueza. A Coca-Cola vende o mesmo produto há 122 anos e muito provavelmente o venderá pelos próximos séculos.

É essa consistência do produto que cria a constância nos lucros da empresa. Se esta não precisa ficar mudando seus produtos, também não precisa investir milhões em pesquisa e desenvolvimento nem terá de gastar bilhões reequipando a sua fábrica para produzir o modelo a ser lançado no ano que vem. Assim, o dinheiro vai se multiplicando nos cofres da companhia, o que significa que ela não precisa contrair muitas dívidas e, por sua vez, evita que pague muitos juros, permitindo que acumule muito dinheiro para expandir suas operações ou recomprar as ações, o que aumenta o lucro e a cotação das suas ações - tomando os acionistas mais ricos.

Portanto, quando está analisando as demonstrações financeiras de uma empresa, Buffett está procurando consistência. Aquela companhia consistentemente tem margens brutas altas? Tem consistentemente pouca ou nenhuma dívida? Não precisa gastar consistentemente grandes somas em pesquisa e desenvolvimento? Apresenta lucros constantes? Apresenta um crescimento constante do lucro? É essa "consistência" que aparece nas demonstrações financeiras que indica a Buffett a "durabilidade" da vantagem competitiva da companhia.

domingo, 20 de maio de 2018

ESPECIAL - Warren Buffett e a análise de BALANÇOS - Capítulo 2



CAPÍTULO 2
Onde Buffett começa sua busca pela empresa excepcional

Antes de começarmos a procurar a empresa que nos tornará ricos, ou seja, uma empresa com uma vantagem competitiva durável, é útil saber onde procurar. Buffett percebeu que essas superempresas têm três modelos básicos de negócios: vendem um produto exclusivo, prestam um serviço exclusivo ou compram e vendem a baixo custo um produto ou serviço de que o público sempre precisa.

Vamos analisar cada um desses modelos.


Vender um produto exclusivo: esse é o mundo de Coca-Cola, Pepsi, Wrigley, Hershey, Budweiser, Coors, Kraft, The Washing-ton Post, Procter &1: Gamble e Philip Morris. Por meio do processo de necessidade e experiência do consumidor, e da promoção publicitária, esses s fabricantes inseriram as histórias de seus produtos em nossas mentes e, assim, nos induziram a pensar neles quando vamos satisfazer uma necessidade. Quer mascar um chiclete? Você pensa na Wrigley.


Está com vontade de tomar uma cerveja gelada após um dia cheio no trabalho? Você pensa na Budweiser. E as coisas realmente melhoram com uma Coca-Cola.

Buffett gosta de pensar que essas companhias conquistaram um lugar na mente do consumidor e, quando isso acontece, seus produtos nunca precisam ser modificados, o que, como você descobrirá, é um ponto favorável. A empresa também consegue cobrar preços mais altos e vender uma quantidade maior dos seus produtos, criando todo tipo de eventos econômicos maravilhosos que aparecem em suas demonstraçôes financeiras. 

Vender um serviço exclusivo: esse é o mundo de Moody's Corp., H&'R Block Inc., American Express Co., The Service Master Co. e Wells Fargo &' Co. Tal como os médicos e os advogados, essas empresas prestam serviços de que as pessoas precisam e pelos quais estão dispostas a pagar - mas, ao contrário dos médicos e dos advogados, essas empresas são instituições, não pessoas específicas. Quando vócê pensa em calcular os seus impostos, pensa na H&'R Block, não em Jack, o sujeito na H&'R Block que faz os cálculos. Quando Buffett comprou uma participação no Salomon Brothers, um banco de investimentos Cagora parte do Citígroup), pensou que estivesse comprando uma instituição. Porém, quando os principais talentos começaram a deixar a firma e a levar consigo os maiores clientes, ele percebeu que se tratava de uma empresa de talentos específicos. Em firmas desse tipo, os funcionários podem exigir e obter uma grande parte do lucro, o que deixa um total bem menor para os proprietários/acionistas da empresa. E não é assim que os investidores ficam ricos.


O modelo econômico de prestação de um serviço exclusivo pode ser fenomenal. Uma empresa não precisa investir muito dinheiro reprojetando seus produtos nem tem de gastar uma fortuna construindo uma fábrica ou armazenando sua produção. Firmas que prestam serviços exclusivos e que conquistam uma posição na mente do consumidor podem gerar margens melhores do que as das companhias que vendem produtos.


Comprar e vender a baixo custo um produto ou serviço de que o público sempre precisa: esse é o mundo de Wal-Mart, Costco, Nebraska Furniture Mart, Borsheim's Jewelers e Burlington Northern Santa Fe Railway. Aqui, as grandes margens são trocadas pelo volume, ou o aumento do volume mais do que compensa a redução das margens. O segredo é ser ao mesmo tempo comprador e vendedor a baixo custo, o que permite que você tenha margens mais altas do que as da concorrência e ainda seja o vendedor a baixo custo de um produto ou serviço. A imagem do melhor preço do mercado fica associada à ideia do consumidor de onde comprar. Em Omaha, quem precisa de um fogão novo vai atrás da maior variedade e do melhor preço na Nebraska Furniture Mart. Quer despachar os seus pertences para o outro lado do país? A Burlington Northern Santa Fe

Railway tem a melhor oferta. Você mora numa cidade pequena e quer a maior variedade com os melhores preços? Vá ao Wal-Mart.

É simples assim: venda um produto ou serviço exclusivo ou seja o comprador e vendedor a baixo custo de um produto ou serviço e você irá lucrar, ano após ano, como se tivesse quebrado a banca em Monte Carlo.